Isaura e Euler se conheceram na luta revolucionária

 

Isaura Lemos sempre lutou pelas causas sociais. Natural de Jundiaí (SP), a deputada é a 11ª filha de uma família católica de 14 irmãos. Dentro da mesma casa, Isaura e seus irmãos contestavam e debatiam questões políticas, principalmente as relacionadas ao governo militar. Ambiente de contestação permanente, as notícias do momento eram ali discutidas exaustivamente, de modo que a casa da família tornou-se um verdadeiro centro político e cultural daquela época. Somava-se a eles um grupo de seminaristas rebeldes, que sonhava ver o progresso do movimento revolucionário. Tratava-se da Juventude Estudantil Católica da cidade de Campinas (SP).

Nos anos da ditadura militar, Isaura Lemos demonstrou-se pronta para cumprir qualquer tarefa, mesmo que colocasse sua vida em risco. Conhecida como Nina, queria contribuir para a conquista da liberdade, assim passou a engrossar as fileiras dos militantes que contestavam o regime autoritário vigente no Brasil desde o golpe de 31 de março de 1964.

Foi numa das reuniões clandestinas do movimento revolucionário que a deputada conheceu o ex-vereador Euler Ivo, hoje seu marido. Naqueles tempos, Euler Ivo levava uma vida rigorosamente clandestina no sertão baiano, com o nome de José Moreira. Ajudava seus companheiros na preparação ativa de um movimento armado. Era uma vida dura, simples e áspera. Mesmo assim, Isaura Lemos trocou o conforto da família e da cidade grande e foi para a clandestinidade ajudar a luta popular. Foi morar no sertão nordestino, levar vida simples, lavar roupa no riacho, conviver com o fogão à lenha, a falta d´água e passar por muitas privações. Logo se integrou à vida local, com o nome de Lilia, sempre com alegria e muito ânimo.

Em meados da década de 70, a organização revolucionária “Ação Popular” se dissolveu e se incorporou ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). A partir daí, o casal Euler-Isaura, conhecidos na região como Zé Mineiro e Lilia, continuaram suas atividades sob uma nova perspectiva. Chocado com as terríveis privações do grande sertão nordestino, Zé Mineiro passou a atender os doentes e conseguir-lhes remédios. Ficou conhecido como um farmacêutico popular. Dona Lilia, por ter formação em técnica de enfermagem, também lhe ajudava. Mas essa atividade poderia chamar a atenção dos espiões políticos do governo e exigia muita cautela.

Em 1972, quando no Pentágono americano, já se gerava uma política mais liberal para as ditaduras da América do Sul, podia-se observar também no Brasil sinais de pequenos avanços nas formas de luta. Os sinais dessa mudança foram captados pelos atentos e sensíveis dirigentes comunistas, que, ao lado da preparação de uma revolução armada contra a ditadura militar, buscavam também preservar seus quadros e dirigentes da feroz perseguição.

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