Dia do Trabalhador: data para celebrar e lutar

 

O Dia 1º de Maio é, em todo mundo, a data em que se congratula, se comemora e se revigora o projeto de todos os trabalhadores do mundo por uma sociedade sem classes. Nela, trabalhadores e trabalhadoras terão conquistado a emancipação econômica, política e social em que de cada um virá a produção do trabalho conforme sua capacidade. E a sociedade devolverá a cada um de acordo com a sua necessidade.

 

A construção dessa nova sociedade passa, necessariamente, pela organização e conscientização dos trabalhadores. É preciso que ampliemos a nossa percepção dos problemas que nos assolam e do nosso próprio papel diante dessa construção. Somente quando a classe trabalhadora tiver consciência de que a sua força de trabalho é que produz a riqueza mundo e que ela não tem acesso aos frutos do seu trabalho, poderemos avançar e construir uma nova perspectiva.

 

Com esse objetivo, trabalhadores(as) dos quatro cantos do planeta reafirmam a luta pela ampliação de direitos e pela defesa do que já foi conquistado. Em todo mundo, e particularmente na Europa, multidões se mobilizam para enfrentar pacotes de austeridade impostos pelo setor financeiro para tentar aplacar a turbulência de uma crise que sacode o mundo desde 2008. Através desses pacotes, o mesmo setor financeiro que, com suas aventuras especulativas, foi o grande causador da crise, quer agora depositar o ônus nos ombros dos trabalhadores.

 

Essa queda de braço para decidir quem pagará a conta da crise é o pano de fundo de um debate mais amplo. Trata-se de uma disputa entre um modelo econômico de acumulação de bens e riquezas para uma pequena minoria de um lado e a luta para que a produção seja utilizada para o benefício de toda a sociedade de outro.

 

Em maior ou menor grau, é possível identificar essa disputa em nosso cotidiano. No Brasil, os avanços conquistados com a vitória de Lula em 2002 contrastam com a política econômica neoliberal, que procura estabilizar a economia à base de altas taxas de juros. Esse modelo beneficia diretamente o setor financeiro, que aumenta sua riqueza sem produzir. Ao mesmo tempo, desindustrializa o país, com a falta de incentivos para a produção e com a dificuldade do setor produtivo em adquirir crédito e investimentos. Mesmo com as medidas tomadas por Lula e Dilma para estimular a industrialização do Brasil, é preciso compreender que, para avançar nas mudanças, é preciso inverter essa lógica e garantir que a indústria, que traz empregos, riqueza e solidez na economia, seja prioridade.

 

Outro ponto que explicita essa disputa são as sucessivas tentativas de flexibilizar as Leis Trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que completa 70 anos, é alvo constante de propostas de “modernização” que, na prática, procuram retirar conquistas históricas do povo brasileiro. Hoje, por exemplo, estão em tramitação quatro projetos de lei no Congresso Nacional com essa perspectiva. Herança do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, que tentou a todo custo dilapidar a CLT. Esse tipo de pensamento, infelizmente, ainda encontra eco entre os nossos congressistas.

 

Em Goiás, também há claras demonstrações de que a lógica é beneficiar os grandes produtores em detrimento dos trabalhadores. Em 2012, nosso estado atingiu um aumento de 6,7% de sua produção industrial. Na média nacional, houve uma queda de 2,7%. Entretanto, esse aumento não refletiu em alterações significativas nos salários. A renda média do trabalhador goiano, segundo dados do IBGE, reduziu 2,09% de 2011 para 2012. Além disso, nossa capital é a mais desigual da América Latina, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Diante disso, é fundamental que os trabalhadores e o governo se empenhem em construir um modelo de desenvolvimento em que todos ganham. É preciso combater de forma determinada e contínua os trabalhos escravo e precário, bastante comuns na indústria sucroalcooleira, para tirar da miséria centenas de famílias que vivem em condições subumanas. É importante também iniciar um importante debate sobre o estabelecimento de um salário mínimo estadual, seguindo o exemplo de Estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

 

A luta dos trabalhadores está intimamente relacionada à luta por uma sociedade melhor. Por isso, o 1º de Maio é uma data de celebração, mas também é uma oportunidade de reforçarmos as bandeiras históricas da luta sindical e classista, para que possamos vislumbrar um horizonte mais justo, solidário e humano.

 

(Isaura Lemos, deputada estadual; presidenta – PCdoB – Goiânia)

 

Artigo publicado na edição do dia 07 de maio de 2013, no jornal Diário da Manhã.

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