Durante o Pequeno Expediente da sessão ordinária desta terça-feira, 12, a deputada Isaura Lemos (PDT) falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores rurais goianos, e repercutiu assuntos pertinentes, como a questão da reforma agrária. Na ocasião, integrantes do Movimento Camponês Popular (MCP) estiveram presentes nas galerias do Plenário.
“Vou utilizar este espaço para defender a agricultura familiar e a reforma agrária”, iniciou Isaura. “No Brasil, apenas 20% das terras são utilizadas para a agricultura. Esta concentração faz com que o País seja um dos mais desiguais do mundo. E o Centro-Oeste possui uma das mais altas concentrações de terra do Brasil – enquanto no Sul, a média das grandes propriedades é de 1.500 hectares, no Centro Oeste, ela chega a atingir entre 8.000 e 10.000 hectares”, afirmou.
“O Estado de Goiás é um dos mais desiguais do Brasil, por isso a reforma agrária continua urgente”, acrescentou. “Temos algumas propriedades de mais de 8 mil hectares nas mãos de poucos por aqui, então, estamos longe do desenvolvimento experimentado pelo Sul do País”, apontou.
Os integrantes dos MCP estão acampados no hall de entrada da Assembleia Legislativa desde a manhã dessa terça-feira. O acampamento servirá de refúgio para uma série de manifestações que realizarão pela Capital. O grupo, composto por pequenos produtores rurais, é proveniente de diversos municípios goianos: cerca de 1.500 camponeses e camponesas do MCP estão no local e se juntarão com outros mil de outros movimentos ligados ao Fórum Estadual da Reforma Agrária.
Os trabalhadores da agricultura familiar reivindicam a criação de um programa de energia no campo, a isenção de incidência do ICMS sobre alguns gêneros alimentícios, incentivo político aos pequenos produtores, uma política de educação para o campo, assistência técnica destinada aos pequenos produtores rurais, irrigação, melhoria na infraestrutura e implantação de uma política de agricultura familiar.
Altacir Bunde, membro da coordenação do MCP, reclama que mais de 700 contratos de construção, reforma e ampliação de moradias no Estado, foram firmados numa parceria entre o MCP, o Governo Federal e o Governo Estadual, que não estaria cumprindo parte dos compromissos.
Altacir disse também que a extinção da Emater — que foi recriada e encontra-se em operação — faz com que milhares de famílias camponesas percam o acesso a créditos do Pronaf.
Segundo o membro do MCP, outra reivindicação que será buscada, é para que seja zerado o déficit de energia no campo no Estado. “Cerca de 30 mil unidades camponesas ainda não possuem energia elétrica.”
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Autor: Lucielle Bernardes Data: abril 12th, 2011 Assunto: Desigualdade, Reforma Agrária |










